Ação AZTE3 sobe mais de 160% em 2025

Azevedo & Travassos Energia negocia novas aquisições e mira 10 mil bpd no longo prazo

Azevedo & Travassos Energia negocia novas aquisições e mira 10 mil bpd no longo prazo

São Paulo, 01/04/2025 – A Azevedo & Travassos Energia tem novas aquisições em negociação e considera a compra de ativos “essencial” para seu plano estratégico, que prevê atingir a produção de 10 mil barris por dia no longo prazo, afirmou o presidente do conselho, Gabriel Freire, em teleconferência nesta terça-feira.

A companhia, listada na bolsa e originada a partir da cisão de ações da construtora Azevedo & Travassos, registrou uma produção de 99 barris de óleo equivalente por dia em fevereiro, com ativos adquiridos da Phoenix e da Brava – estes últimos em parceria com a Petro-Victory. Desde sua estreia na B3, em fevereiro, suas ações, cotadas a R$1,08, acumulam alta de mais de 160%.

“Ouvi uma história muito interessante outro dia. Quando a PRIO se tornou PetroRio, havia uma meta escrita na parede do escritório: 100 mil barris por dia. A Azevedo também tem sua meta escrita na parede. É mais modesta, como cabe a uma third tier, mas estabelecemos 10 mil bpd. Para alcançar esse objetivo, precisaremos de novas aquisições”, disse Freire.

Entre as petroleiras independentes, conhecidas como junior oils, a PRIO lidera com uma produção superior a 108 mil barris diários. A Brava registra mais de 73 mil boed, enquanto a PetroReconcavo produz cerca de 27 mil boed. Já a Petrobras atingiu 2,6 milhões de boed no quarto trimestre de 2024.

No caso da Azevedo & Travassos Energia, a primeira meta, no curto prazo, é alcançar 500 bpd, o que deve ocorrer após a conclusão do processo de transição dos ativos adquiridos da Brava – estimada entre sete e oito meses. Em seguida, a meta intermediária será de 1.000 barris por dia. Para atingir os 10 mil bpd, no entanto, o esforço será maior.

“Os ativos que já temos em carteira possuem um limite físico bem abaixo dessa meta que estabelecemos, então o crescimento inorgânico será fundamental”, reforçou Freire.

O objetivo da companhia, segundo Freire, que lidera um processo de reestruturação desde que a A&T recebeu aportes da gestora Rocket Capital, em 2019, é transformar sua divisão de energia em uma “grande pagadora de dividendos” para os acionistas. No entanto, ainda não há previsão de quando isso ocorrerá. “Mas esse é, sem dúvida, o objetivo final da companhia”, afirmou.

OPERAÇÃO E MERCADO

Atualmente, a Azevedo & Travassos Energia opera com um custo de extração em torno de US$19 por barril – considerado “bastante alto” pela própria gestão, que atribui o valor à produção ainda pequena, o que dificulta a diluição de custos.

Durante a teleconferência, executivos informaram que, até 2026, a AZTE espera reduzir o lifting cost para cerca de US$11 a US$12 por barril, “no máximo”.

O chairman, Gabriel Freire, demonstrou otimismo tanto com as perspectivas operacionais da companhia quanto com seu posicionamento no mercado.

“Conseguimos uma valorização significativa desde o início das negociações. Já nos posicionamos acima de R$1 por ação, o que é muito importante para a empresa, pois evita a necessidade de um agrupamento. Tenho muita confiança na companhia, dentro e fora do mercado de capitais”, afirmou.

Atualmente, a Azevedo & Travassos Energia se prepara para iniciar a produção de gás no campo de Periquito, dependendo apenas do fechamento de um contrato de venda. Além disso, planeja uma campanha de perfuração de poços no campo de Andorinha, em parceria com a Petro-Victory, prevista para começar em abril. Para agosto, novas perfurações estão programadas em campos da Phoenix. As operações marcam um retorno da centenária A&T ao setor, no qual já havia atuado nos anos 1980.

(LC | Edição: Luca Boni | Comentários: equipemover@tc.com.br)