São Paulo, 02/04/2025 – A Minerva passará por um período de integração dos ativos recém-adquiridos da Marfrig, mas, ao final desse ciclo, será “um animal diferente” – uma companhia significativamente maior, mantendo sua capacidade de gerar boas margens, afirmou o diretor de Relações com Investidores, Danilo Cabrera. Segundo ele, o processo de integração é semelhante, e até menos complexo, do que a compra das operações da JBS na América do Sul, realizada em 2017.
Desde o anúncio, em outubro de 2023, da aquisição de diversos frigoríficos da Marfrig no Brasil e em outros países da América do Sul, por R$7,5 bilhões, as ações da Minerva vêm sofrendo pressão devido a preocupações com a alavancagem, intensificadas pelo cenário de juros elevados no Brasil. Os papéis acumulam uma queda de 40% desde a divulgação da transação, mesmo após uma recuperação de quase 28% neste ano.
“O grande ruído que identificamos foi o risco de balanço, a alavancagem. O mercado deu um passo atrás, e isso é natural, considerando o atual patamar dos juros. Mas vale ressaltar que essa é a 20ª aquisição da companhia. E temos um case extremamente similar ao da aquisição dos ativos da JBS no Mercosul”, disse Cabrera durante um evento da gestora L4 Capital.
“Não que a integração vá ser fácil – há desafios –, mas o ambiente é muito mais controlado quando fazemos essa comparação”, acrescentou. A alavancagem da Minerva, em 2017, superava 4 vezes o Ebitda, um nível bem superior aos 2,8 vezes registrados na época do anúncio da aquisição dos ativos da Marfrig.
“É o mesmo processo: faz-se a aquisição, há um impacto inicial na alavancagem, inicia-se a integração dos ativos, que, por sua vez, contribuem para a desalavancagem. E, no momento em que tudo se consolida, a companhia se torna um forte gerador de dividendos”, explicou Cabrera. Na época da operação com a JBS, os ativos foram completamente integrados em um período de 1,5 a 2 anos, levando a Minerva de volta ao patamar pré-aquisição, mas com margens melhores e um fluxo de caixa mais robusto. “Nosso mindset é o mesmo”, afirmou.
INTEGRAÇÃO
Cabrera reconheceu que o quarto trimestre foi marcado por uma utilização reduzida das plantas recém-adquiridas, em torno de 45% da capacidade, impactada por fatores sazonais, como férias coletivas, e pela racionalização de operações em algumas unidades. “Foi um estágio inicial lento, mas natural. Estamos em um ramp-up que vai evoluir com o tempo”, explicou.
No primeiro trimestre de 2025, a utilização deve subir para cerca de 60%, ainda abaixo do ideal de 70% a 75%, que reflete a média das operações da Minerva. “Entre o terceiro e o quarto trimestre, devemos ter os novos ativos operando em condições similares ao nosso padrão histórico”, projetou Cabrera. Esse avanço, segundo ele, permitirá capturar sinergias, otimizar a estrutura de custos, melhorar a logística e fortalecer o poder de barganha comercial, consolidando os ganhos da aquisição e elevando as margens ao nível dos demais ativos do grupo.
No primeiro semestre de 2025, a companhia espera um impacto no capital de giro, necessário para acelerar a operação nos ativos adquiridos. No entanto, esse será um efeito não recorrente, afirmou o CFO. “Depois que atingimos um patamar de produção, o relógio começa a girar a nosso favor: maior volume, maior venda e recebíveis que autofinanciam o capital de giro”, explicou.
Após a integração dos novos frigoríficos e a desalavancagem do balanço, em um horizonte de dois a quatro anos, a Minerva poderá se preparar para futuras oportunidades – seja via fusões e aquisições (M&A) ou crescimento orgânico, acrescentou Cabrera. Segundo ele, no longo prazo, a companhia buscará consolidar-se como uma empresa com footprint global.
(LC | Edição: Luca Boni | Comentários: equipemover@tc.com.br)