Custo de oportunidade: CDI ou renda variável?

Se o consenso está muito pessimista e você entende que isso pode melhorar, vale a pena investir

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Por Artur Losnak

Acompanhamos nos últimos meses muitos quedas expressivas nos ativos financeiros, que atingiram preços descontados em relação ao passado. A grande pergunta que fica é: vale a pena comprar?

Teoricamente, se um ativo negociava a 40 reais e hoje negocia a 10 reais, se eu comprar agora e vender a 20 reais eu conseguiria embolsar um bom lucro e ainda nem precisaria esperar o ativo voltar ao preço histórico de 40 reais.

O grande problema é justamente que provavelmente a dinâmica de mercado era uma quando o ativo negociava a 40 e outra quando negocia hoje a 10 reais (ritmo de crescimento do PIB e taxas de juros diferentes, por exemplo).

Na minha visão, não vale a pena comprar qualquer coisa simplesmente por ter caído, afinal se demorar muito para chegar nos 20 reais, era melhor simplesmente ter deixado o dinheiro parado na renda fixa do que correr o risco de renda variável.

Isso é justamente o custo de oportunidade: deixar de ter um benefício (relacionado à rentabilidade do CDI neste caso) ao alocar em um ativo de renda variável.

Todo dia o CDI sobe enquanto o mercado de renda variável pode oscilar (tanto para cima, quanto para baixo).

Supondo uma Selic média de 10% ao ano, em pouco mais de 7 anos dobramos o patrimônio com risco muito baixo.

Olhando para este exemplo, se tivermos conforto de que conseguimos dobrar o patrimônio investindo em renda variável em menos de 7,5 anos, vale a pena investir em renda variável. Se não tivermos este conforto, melhor ficar no CDI.

E como ter conforto? Como descobrir que vale a pena? Se carregar o ativo te rende dividendos, fica mais fácil bater o CDI neste período (afinal além do possível ganho de capital há o retorno através dos dividendos).

Além disso, algo que procuro muito ao investir em renda variável é entender se há algum gatilho de melhora, alguma coisa que retire a aura negativa que está sob determinado papel e faça com que o mercado passe a olhar de maneira mais positiva.

No final do dia é “bem simples”: arbitrar o consenso. Se o consenso está muito pessimista e você entende que isso pode melhorar, vale a pena investir.

Alguns gatilhos – ou triggers – comuns: desinvestimento de ativos; rolagem de dívida, aliviando o curto prazo da empresa; troca do time de gestão; e fusões e aquisições.

Mas se você está mais pessimista que o consenso ou que entende que há mais notícias negativas que positivas no curto prazo, talvez não seja a melhor hora de investir em renda variável.

*O conteúdo da coluna é de responsabilidade do colunista e não reflete o posicionamento do FLJ.