São Paulo, 03/04/2025 – Os preços do petróleo nos mercados internacionais e as ações de empresas do setor listadas na B3 despencavam nesta quinta-feira, impactados pelo pacote de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na véspera, e pela decisão da Opep+ de aumentar a produção da commodity.
As tarifas anunciadas por Trump foram mais agressivas do que o esperado pelo mercado, aumentando os temores de uma forte desaceleração econômica que poderia afetar a demanda por petróleo. Paralelamente, a Opep informou nesta manhã que oito países elevarão a produção em maio em 411 mil barris por dia, acelerando o ritmo previsto anteriormente.
Por volta das 11h10, os futuros do petróleo Brent, referência global negociada em Londres, caía 6,68% a US$70,10, caminhando para registar a maior queda diária desde agosto de 2022. O aumento da produção pelos países da Opep em maio representa três meses de antecipação dos incrementos graduais já planejados.
“Isso vem como uma surpresa negativa, uma vez que o mercado já esperava um aumento na oferta, mas não em um ritmo mais acelerado do que o previsto anteriormente. Especialmente após os anúncios de tarifas dos EUA, que podem ter impactos negativos sobre a demanda por petróleo”, escreveram analistas do UBS.
“Acreditamos que o Brent deve cair ainda mais, para a região dos US$60/barril no curto prazo”, acrescentou o banco em relatório nesta manhã.
Por volta das 11h10, as ações ON da Brava Energia caíam 7,67%, a R$20,95, enquanto as ON da PRIO recuava 5,13%, a R$37,55. As ON da PetroReconcavo registrava queda de 5,42%, a R$15,72, e as PN da Petrobras recuava 3,33%, a R$35,96.
Ontem, o Goldman Sachs havia reduzido a recomendação para as ações da Brava para “venda” e de PRIO para “neutra”, citando maior cautela em relação ao cenário dos preços do petróleo diante das medidas tarifárias de Trump.
Em relatório separado divulgado hoje, o UBS avaliou que o PIB dos Estados Unidos pode crescer apenas 1% em 2025 devido ao impacto das tarifas, com risco de recessão técnica nos próximos meses. O banco também revisou para cima suas projeções de inflação (PCE), estimando alta de 4,4% em 2025 e 4,2% em 2026, acima da meta de 2% do Federal Reserve.
(LC | Edição: Luca Boni | Comentários: equipemover@tc.com.br)