Ibovespa cai com pressão do setor financeiro, de olho em Brasília e dados nos EUA

Confira o fechamento do mercado nesta quarta (30)

B3
B3

Por Luana Franzão

O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (30) em queda pela primeira vez na semana, pressionado pela correção nos papéis do setor financeiro e à espera de indicadores de inflação e atividade nos Estados Unidos nos próximos dias e de avanços na pauta orçamentária em Brasília.

O Ibovespa encerrou em baixa de 0,73%, aos 117.535 pontos, com volume financeiro de R$12,21 bilhões, abaixo da média dos últimos 50 pregões.

O índice começou o dia perto da estabilidade, mas ampliou as perdas durante a tarde, principalmente após o Tesouro divulgar um déficit primário de R$35,933 bilhões em julho, maior do que o esperado pelo mercado. O dado mantém a cautela de investidores em relação ao andamento de pautas em Brasília para elevar a arrecadação e cumprir metas estabelecidas pelo novo arcabouço fiscal, além das discussões orçamentárias para o próximo ano.

O mercado chegou a ser amparado por dados que mostraram moderação da inflação e do mercado de trabalho nos Estados Unidos, mas o bom humor também perdeu força ao longo do dia. Para Marcelo Audi, sócio da Cardinal Partners, o movimento é resultado de uma piora no sentimento dos investidores ao longo do mês, combinado com fluxo mais fraco – o que acaba motivando correções bruscas e “descoladas do fundamento”.

O pregão também foi marcado pelo movimento de correção nos papéis do setor financeiro, que constaram entre os principais detratores do índice após altas nos dias anteriores. As PN do Itaú e do Bradesco perderam 1,91% e 2,13%, respectivamente, juntamente com as ON da B3 e do Banco do Brasil, que perderam 2,58% e 1,44%, na sequência.

Entre as maiores quedas percentuais ficaram as ON da Via Varejo e IRB Brasil, além das PN de Alpargatas, que perderam 6,99%, 5,20% e 4,96%, nesta ordem.

Durante a manhã, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apresentou uma deflação de 0,14%, enquanto o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou a criação de 142 mil postos de trabalho em julho – um recuo em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os dados amparam a tese de que o Banco Central deva seguir com os cortes nos juros nas próximas reuniões, mas não bastaram para frear a correção do Ibovespa no dia.

Entre os destaques corporativos, a CVC liderou os ganhos do Ibovespa ao subir 17,09%, após o pedido de recuperação judicial da 123milhas. Em entrevista ao jornal “O Globo”, o CEO da empresa de turismo, Fabio Godinho, declarou que viu um aumento forte no movimento das lojas físicas, com clientes frustrados e “em busca de segurança na hora da compra de uma viagem”.