CPI abaixo do esperado nos EUA alavanca bolsas e derruba dólar

Acompanhe a movimentação dos mercados nesta quarta (12)

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Por Luca Boni e Fabricio Julião

As principais bolsas de Wall Street operavam em alta, com investidores reagindo ao arrefecimento da inflação ao consumidor dos Estados Unidos acima do esperado, o que reforça as previsões de que o Federal Reserve está próximo de encerrar o ciclo de alta dos juros americanos. Perto das 12h10 desta quarta (12), o Dow Jones, o S&P500 e o Nasdaq 100 avançavam 0,74%, 0,92% e 1,18%, respectivamente. Os títulos do Tesouro americano de dez anos recuavam 9,5 pbs, a 3,879%, e os de dois anos — mais sensíveis à política monetária — caíam 13,9 pbs a 4,740%.

Divulgado mais cedo, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, em inglês) registrou variação mensal de 0,2% em junho, ante consenso de 0,3%. A variação anual do CPI atingiu 3,0%, também abaixo do consenso de 3,1%. O núcleo do CPI também veio melhor do que o esperado, com variação mensal de 0,2% e anual de 4,8%.

O CPI impacta positivamente o mercado de renda variável, já que a perspectiva de apenas mais uma alta nas Fed Funds reduz o interesse pela renda fixa americana e aumenta apostas em ativos de maior risco, como a bolsa.

Às 15h00, o Fed vai divulgar o Livro Bege, que serve como parâmetro da evolução econômica dos distritos americanos e como baliza para as decisões da autarquia. O mercado também deve acompanhar o discurso de três membros do Fed, que podem dar sinais da direção da política monetária americana.

IBOVESPA

O Ibovespa segue o movimento de alta, retornando para o patamar dos 119 mil pontos, em linha com o otimismo do mercado americano, após a inflação ao consumidor nos EUA cair mais do que o esperado pelo consenso. A JBS é o destaque positivo do pregão, após o pedido de registro de listagem simultânea de ações na bolsa de Nova York e Brasil.

Por volta das 12h10, o Ibovespa avançava 1,52%, aos 119.004 pontos. O volume de negócios projetado para hoje é de R$15,7 bilhões, abaixo da média de 50 pregões.

Segundo o head de renda variável e sócio da A7 Capital, Andre Fernandes, os dados do CPI nos EUA são positivos para economias emergentes e para a bolsa brasileira.

As ON da JBS disparavam 8,18% e projetavam um forte volume de negócios para a sessão. A maior empresa de alimentos do mundo pediu o registro de listagem de suas ações na NYSE por meio da holding JBS N.V., em um movimento que pode aumentar o “valuation”, ou preço, da empresa, reduzir o custo de capital e facilitar sua agenda de aquisições.

As ON da Vale subiam 1,49% e eram as maiores contribuidoras por pontos do Ibovespa, em linha com a valorização do minério de ferro na China diante de expectativas de novos estímulos na economia por parte do governo.

As ON da B3, da Marfrig e da Rede D’Or avançavam 4,02%, 3,78% e 3,42%, na mesma ordem, e figuravam entre as maiores altas percentuais do índice.

Entre as maiores quedas percentuais, destaque para as ON da Dexco, da Méliuz e as PN da Azul, que recuavam 3,37%, 2,32% e 2,01%, na sequência.

JUROS

As taxas dos contratos de juros futuros oscilavam e operavam sem direção definida, com leve inclinação de alta. Os vértices chegaram a operar em queda acentuada durante a manhã, após a divulgação do CPI americano, mas reverteram o movimento por volta das 12h00.

Perto de 12h10, os DIs com vencimentos em Jan/24 caíam 1,5 ponto-base, a 12,83%, enquanto os DIs para Jan/25 subiam 3,5 pbs, a 10,79%. Já as taxas dos contratos para Jan/27 subiam 2,5 pbs, a 10,14%, e os vértices para Jan/31 operavam estáveis, a 10,61%.

A curva dos DIs chegou a abrir em leve alta, após o Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE) reportar a expansão mensal de 0,9% do volume de Serviços no Brasil em maio, após queda de 1,5% do indicador em abril. Com a economia mais resiliente, investidores reduzem marginalmente a expectativa de um corte mais agressivo de juros, com espaço para ajuste nas curvas.

No entanto, o movimento se inverteu após a divulgação da inflação ao consumidor nos EUA, às 09h30. Com a desaceleração do indicador acima do esperado, as apostas de uma política monetária menos agressiva por parte do Fed ganharam força. A taxa de juros menor nos EUA interfere na condução da política monetária brasileira, já que dá ao BC ferramentas para seguir com o plano de cortes de juros sem que haja um grande impacto nos investimentos locais.

CÂMBIO

O dólar também caía ante ao real devido ao CPI dos EUA mais fraco que o esperado. A moeda americana cedia diante de 17 de 22 divisas acompanhadas pela Mover, em dia de menor aversão ao risco nos mercados globais.

Por volta das 12h10, o dólar à vista caía 0,86%, a R$4,8107, enquanto o dólar futuro recuava 0,91%, a R$4,827. O Índice DXY caía 0,95%, aos 100.691 pontos – no menor nível desde abril de 2022.

O real chegou a ser a moeda mais valorizada nesta manhã, após o Departamento de Trabalho americano divulgar a variação mensal de 0,2% do núcleo do CPI, ante expectativa de 0,3%. Com a inflação desacelerando mais rapidamente nos EUA, investidores se voltam à hipótese de que o Fed só irá aumentar a taxa de juros mais uma vez neste ano.

Ainda que o CPI não seja o indicador preferido do Fed para balizar as decisões de juros – a autoridade costuma observar o Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) –, os sinais de alívio sobre os preços de hoje são importantes na conjuntura atual não apenas americana, mas global.

O resultado do CPI beneficia a tomada de risco global e, consequentemente, a divisa brasileira. Isso porque os investidores tendem a correr mais riscos e olhar para os mercados emergentes, como o brasileiro, e, com a maior entrada de fluxo estrangeiro o dólar deprecia e o real se valoriza.