WEG pode sofrer com desaceleração na demanda e risco de fim do JCP, alertam XP e Itaú BBA

XP e Itaú BBA fazem alerta aos investidores sobre futuro da empresa

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Por Luciano Costa

A WEG (WEGE3) pode enfrentar um período de menores margens de lucros à frente, após uma sequência bastante positiva de retornos, em meio à desaceleração em seus principais setores de atuação, disseram analistas da XP e do Itaú BBA, que recomendam aos investidores cautela quanto às ações da fabricante brasileira de equipamentos elétricos neste momento.

Considerada uma das ´queridinhas´ do mercado de capitais brasileiro, a WEG compete com multinacionais como a alemã Siemens e a suíça ABB em diversos nichos, e os balanços mais recentes das rivais apontam uma tendência de deterioração na indústria, destacou o time do Itaú BBA, liderado por Daniel Gasparete.

“A ABB reconheceu alguma fraqueza em produtos de ciclo-curto, e agora a Siemens admitiu que a demanda está enfraquecendo. Entendemos que isso está em linha com nossa visão sobre a WEG: embora as margens possam superar projeções novamente no próximo trimestre, o setor está perdendo ímpeto, e isso vai se refletir nos resultados em algum momento”, escreveu ele, em relatório divulgado em 10 de agosto.

A mesma preocupação está no radar da XP, que reduziu ontem a recomendação de “compra” para “neutra” para as ações da WEG e o preço-alvo dos papéis, citando expectativa de que as margens “se acomodem em menos níveis conforme novos contratos forem assinados, devido ao novo ambiente de custos”, após um período bastante favorável entre 2020 e 2022.

“Vemos mais ventos contrários do que impulsos favoráveis para a manutenção do elevado crescimento nos próximos anos”, acrescentou a equipe comandada por Lucas Laghi, que cortou o preço-alvo dos papéis de R$45 ao final de 2023 para R$40 em 2024.

Os analistas de BTG e XP também apontaram riscos para a WEG devido a discussões no governo federal sobre o fim da possibilidade de empresas distribuírem valores aos acionistas com benefício fiscal por meio de juros sobre capital próprio (JCP).

A medida, que pode vir após a aprovação da primeira fase da Reforma Tributária, poderia impactar negativamente em 6% a projeção para o lucro líquido da WEG em 2024, segundo a XP. Sem o benefício do JCP, os ganhos da WEG teriam sido 6% menores em 2022 e 3,6% menores em 2021, calculou a corretora.

No front operacional, o Itaú BBA destacou que a margem da divisão de “indústrias digitais” da Siemens, comparável à companhia catarinense, caiu de 23,5% no primeiro trimestre para 21,3% no segundo, abaixo dos níveis vistos desde meados de 2022.

“Somos otimistas no longo prazo, mas menos entusiasmados com o curto prazo”, escreveu o banco sobre a perspectiva para as ações. O BBA tem preço-alvo de R$44 para as ON da WEG com recomendação “neutra”.

Perto das 15h05, as ON da WEG caíam 3,63% na B3, a R$37,81. No ano, os papéis caem 0,37%.