Balanço do 3T

Resultado da Petrobras deve agradar mercado e governo, com dividendos e fortes investimentos

Resultado da Petrobras deve agradar mercado e governo, com dividendos e fortes investimentos
Agência Brasil

São Paulo, 07/11/2025 – A Petrobras deve ter o balanço do terceiro trimestre, divulgado na noite de ontem (6/11), visto com bons olhos tanto pelo governo do presidente Lula quanto pelo mercado financeiro, com números que combinam fortes investimentos, acima do previsto, com continuidade dos pagamentos de dividendos e resultados financeiros e operacionais melhores que o esperado.

“A Petrobras surpreendeu positivamente mesmo diante de nossas fortes expectativas”, escreveram analistas do BTG Pactual, enquanto equipe da Genial disse que “deu gosto de ver” o desempenho da estatal. Já em Brasília, o que deve chamar atenção é a aceleração dos investimentos, uma demanda direta e pública de Lula quando escolheu a atual CEO, Magda Chambriard, para liderar a estatal.

A petroleira teve lucro líquido US$6 bi, alta de 27% t/t e de 3% a/a, com EBITDA de US$11,7 bi (+27% t/t), e anunciou proventos de R$12,2 bi (R$0,94 por ação) aos acionistas, que incluem um governo brasileiro ansioso por receitas extras para fechar as contas públicas. Os investimentos (CAPEX) aceleraram 24% em base trimestral e anual, para US$5,51 bilhões, acima dos US$4,6 bi esperados pelo Itaú BBA. A preocupação do mercado financeiro era que o CAPEX pudesse frustrar os dividendos, o que não ocorreu no 3T25. As ações subiam 0,6% no pré-mercado em Nova York, enquanto abriram em alta de 0,45% na bolsa brasileira.

“Uma realização de investimentos mais robustos é um ponto de atenção da tese, tendo em vista a interpretação de a empresa ser vista como um “dividend player”. Entretanto, o copo está meio cheio: esse incremento de investimentos está sendo alocado no segmento de E&P (exploração e produção de petróleo) e não em negócios exóticos ou M&As indesejados”, avaliou a Genial.

Para o BTG, dividendos extraordinários, que agradariam amplamente ao mercado, “permanecem improváveis” com o atual patamar de investimentos e a recente queda do preço do petróleo, mas a Petrobras parece manter como prioridade “preservar os dividendos ordinários, mesmo à custa de uma alavancagem temporariamente maior”.

A Petrobras distribuiu proventos totais de US$18,5 bilhões em 2021 e um recorde de US$41,5 bilhões em 2022, agradando amplamente investidores, embora atraindo críticas na época até do próprio então presidente Jair Bolsonaro, que se queixava dos altos proventos em meio a preços altos dos combustíveis, impulsionado pela alta do petróleo depois da guerra da Ucrânia.

Em 2023, com mudança para governo Lula, a Petrobras desacelerou os proventos para US$18,2 bilhões, e para US$13,2 bilhões em 2024, com US$8,4 bilhões estimados para 2025, segundo números do BTG, que vê proventos de US$8 bilhões em 2026, com a diminuição acompanhando também movimento de retração nos preços internacionais do petróleo.

Os bons resultados financeiros da Petrobras foram ajudados pelo forte desempenho em produção de petróleo, que apoia a geração de caixa, mas a queda dos preços do petróleo levanta algumas dúvidas sobre a continuidade dessa tendência.

PLANO DE NEGÓCIOS

A equipe do BTG espera que mercado mantenha “cautela” até a divulgação do Plano de Negócios da Petrobras para 2026-2030, que deverá sinalizar o ritmo dos investimentos e dividendos à frente. Segundo declarações recentes da CEO, o ambiente de Brent mais baixo pode levar à revisão de alguns projetos, o que analistas esperam que possa desacelerar o CAPEX e ajudar a preservar dividendos. Por outro lado, governo Lula tem pressionado a empresa a manter o pé no acelerador dos investimentos, segundo matéria recente da Folha.

O novo plano de negócios também pode trazer novidades, como investimentos em etanol ou retorno à distribuição de combustíveis, conforme já sinalizado pela estatal em eventos públicos. Hoje, a CEO, Magda Chambriard, escreveu no Linkedin que começou a preparar a empresa para as próximas décadas, dizendo que “o mundo mudou e o Brasil mudou junto”.

“Demandas por petróleo tiveram seu ritmo de crescimento quase anulado, o preço está em franco declínio e a sociedade nos demanda mais energia limpa”, disse Chambriard, apontando que isso exigirá “muito esforço de adaptação”.

(LC | Edição: Luca Boni | Comentários: equipemover@tc.com.br)