Alupar (ALUP11) começa mobilização para construção do Linhão de Roraima, parceria com Eletrobras (ELET3)

Confira a apuração exclusiva do Scoop by Mover sobre o tema

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Por Luciano Costa

A Alupar (ALUP11) começou a mobilizar equipes para iniciar a construção daquele que será o maior projeto da companhia em receita, uma linha de transmissão bilionária entre Manaus e Roraima, disse à Mover o gerente de Relações com Investidores, Luiz Coimbra.

O linhão que conectará a capital Boa Vista ao sistema elétrico interligado do Brasil é uma parceria com a Eletronorte, da Eletrobras (ELET3). As empresas arremataram o contrato para o empreendimento em leilão realizado ainda em 2011, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Depois, Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) chegaram a tentar destravar a obra, sem sucesso.

Os trabalhos de implantação não tinham sequer começado até então, devido a um longo processo de licenciamento ambiental, que envolveu inclusive negociações com indígenas da etnia Waimiri-Atroari, que terão suas terras cruzadas por um trecho do empreendimento.

“O projeto está iniciando. Não tem mais nenhuma obstrução hoje, estamos começando a mobilização do canteiro”, disse Coimbra à Mover, acrescentando que os números finais de investimento no projeto estão “em revisão”.

Em 2021, a Alupar e a Eletronorte apontavam aumento no orçamento do linhão, de R$1,6 bilhão na época do leilão, para R$2,6 bilhões, devido a aumento de preços de materiais e considerando limitações para a construção em terra indígena.

O projeto renderá receita anual de R$380 milhões, ao menos, uma vez que a Alupar e a Eletronorte travam um processo de arbitragem com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), no qual solicitam correção das receitas devido ao aumento no orçamento. “Essa arbitragem está andando, começou há cerca de um ano, mas ela tem um prazo de 24 meses, que pode ser postergado”, explicou Coimbra.

BALANÇO

A Alupar reportou ontem lucro líquido regulatório de R$203 milhões no segundo trimestre, com avanço de 305% na comparação anual e acima também dos R$144 milhões do primeiro trimestre, com o balanço apoiado pela melhora no resultado financeiro, devido ao impacto da variação cambial e da queda da inflação sobre as despesas financeiras.

A companhia também aprovou a distribuição de R$36,6 milhões em dividendos, R$0,12 por Unit, com pagamento em prazo máximo de 60 dias.

OUTROS PROJETOS

Até o final do ano, a Alupar ainda deverá concluir a construção de seu primeiro projeto solar, com 61,7 megawatts em capacidade, disse Coimbra, destacando acordos recentes da companhia para associação à WEG no parque eólico Santa Régia, do complexo Agreste Potiguar, com 212 megawatts em capacidade.

A Alupar vendeu 15 megawatts médios em energia do parque eólico à WEG em um contrato de 18 anos na modalidade autoprodução, pelo qual a fabricante catarinense de equipamentos elétricos terá participação acionária no ativo.

“É importante porque é o primeiro contrato de ´autoprodução´ da Alupar. Essa modalidade hoje é o que viabiliza projetos de geração no atual cenário de preços”, disse Coimbra, ao lembrar que diversas empresas paralisaram novos projetos devido ao patamar atualmente baixo dos preços no mercado de energia do Brasil. “É uma avenida, uma possibilidade de crescimento”, afirmou.

Esta reportagem foi publicada primeiro no Scoop, às 14H50, exclusivamente aos assinantes do TC. Para receber conteúdos como esse em primeira mão, assine um dos planos do TC.