Ação da Usiminas sobe após forte fluxo de caixa no terceiro trimestre

Maior fabricante brasileira de aços planos divulga fraco resultado, mas com forte geração de fluxo de caixa

Divulgação/Usiminas
Divulgação/Usiminas

Por Ana Luiza Serrão

As ações da Usiminas (USIM5) estão entre as maiores altas percentuais do Ibovespa nesta sexta-feira, contrariando a opinião de analistas que esperavam uma reação negativa após a maior fabricante brasileira de aços planos divulgar um fraco resultado no terceiro trimestre, porém, com forte geração de fluxo de caixa.

Perto das 14h30, os papéis preferenciais de Classe A da Usiminas subiam 4,35%, a R$6,24, enquanto o Ibovespa recuava 1,03%, aos 113.595 pontos. Nos últimos 12 meses, as ações acumulam desvalorização de 12,19% e desde o início do ano, de 8,63%.

A Usiminas registrou uma forte geração de fluxo de caixa livre entre julho e setembro, de R$780 milhões, auxiliada por uma liberação no capital de giro no valor de R$1,5 bilhão. “Não acreditamos que essa leitura positiva fosse esperada pelo mercado”, afirmaram os analistas do Itaú BBA.

Além de compensar tendências operacionais mais fracas do período, o fluxo de caixa ajudou a diminuir a alavancagem para 0,21 vezes, ante 0,38 vezes no segundo trimestre, e a reduzir a dívida líquida da empresa de R$965 milhões no segundo trimestre para R$353 milhões no terceiro.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, na sigla em inglês) ficou negativo em R$20 milhões, abaixo dos -R$45,8 milhões estimados pelo TC Consenso, calculado a partir da média das projeções de bancos de investimentos.

Segundo o Goldman Sachs, este ciclo negativo foi ocasionado pela combinação de instabilidade operacional, custos elevados e condições adversas no mercado de aço, além do fato de o alto-forno principal da Usiminas estar fora de operação para uma parada programada significativa.

“Não se espera uma melhora no quarto trimestre, uma vez que os preços spot estão 6% abaixo da média do terceiro trimestre, a demanda está sazonalmente fraca e a concorrência de importações deve permanecer elevada em um ambiente de custos elevados”, escreveram os analistas do banco americano.

“O primeiro trimestre de 2024 deve ser melhor à medida que os novos altos-fornos entram em operação, mas os preços, a demanda e os custos de matérias-primas devem ser contrapesos”, acrescentou a equipe do Goldman Sachs em relatório divulgado hoje.

A Usiminas teve um prejuízo líquido de R$166 milhões no terceiro trimestre, enquanto o TC Consenso projetava perdas de R$251,2 milhões.

(ALS | Edição: Gabriela Guedes | Comentários: equipemover@tc.com.br)