Corte de juros à vista

JPMorgan recomenda 'compra' para mercados Brasil; antevê ciclo de 425 pbs de corte de juro

JPMorgan recomenda 'compra' para mercados Brasil; antevê ciclo de 425 pbs de corte de juro

Brasília, 29/08/2025 – O JPMorgan antevê início do ciclo de corte de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) a partir de dezembro deste ano, com extensão total da flexibilização alcançando 425 pontos-base, levando o nível terminal da Selic a 10,75%, em um dos pontos que sustentam o call de compra da instituição para os mercados acionários locais.

Em relatório divulgado nesta sexta-feira, o JPMorgan cita que a perspectiva de flexibilização monetária, bem como as eleições presidenciais de 2026, constituem desencadeadores que podem pavimentar o caminho para o Ibovespa alcançar novas máximas recordes.

O JPMorgan também avalia que o real segue em nível “bastante resistente”, mesmo após as sanções tarifárias impostas pelos Estados Unidos ante o país. Na visão do JPMorgan, porém, as consequências políticas, econômicas e financeiras das sanções dos EUA a algumas autoridades do país “ainda são incertas”. O banco também cita perspectiva de que ainda “há mais por vir” pelo lado dos americanos.

Em termos macroeconômicos, o JPMorgan nota que a inflação recua à nível local, bem como as expectativas de preços, e a atividade econômica deve desacelerar no segundo semestre – o que justifica viés mais dovish da instituição para a extensão do ciclo de corte de juros ante cenário base de outros players de mercado.

AMÉRICA LATINA

Na América Latina, o JPMorgan diz seguir com viés de que “muito o que ocorre” na região é guiado pelos eventos globais. “E um grande (evento) está se aproximando, especialmente a retomada de cortes de juros pelo Federal Reserve, que foi interrompida em dezembro de 2024″, escreveram analistas do JPMorgan, liderados por Emy Shayo Cherman.

Historicamente, por exemplo, o Fed tende a cortar os juros em períodos de crise, resultando em movimento de “flight to quality” para o dólar, favorecendo apreciação da moeda americana, e depreciação de divisas latino-americanas.

Desta vez, porém, é diferente. O ciclo de flexibilização monetária a ser retomado nos EUA ocorre em um cenário de pouso suave, em conjunto com uma postura mais fraca do dólar, pavimentando caminho para as economias da América Latina cortarem os juros, além de retornos positivos dos mercados acionários.

PORTFÓLIO

Na carteira para a América Latina, o JPMorgan removeu papéis do Banco do Brasil, adicionando Nubank em seu lugar, sob viés de que o banco estatal não irá se recuperar tão cedo da deterioração observada na qualidade de ativos agro.

O JPMorgan aposta em pressão do segmento agro sobre resultados, lucros e pagamento de dividendos pelo Banco do Brasil adiante. “Nubank, do outro lado, tem mais viés altista, com a operação do México alcançando breakeven neste ano”, complementaram.

O JPMorgan também removeu papéis de Rumo do portfólio, citando perspectivas operacionais fracas, bem como falta de desencadeadores por ora para o papel.