Secretário deu entrevista a Tucker Carlson

Bessent minimiza queda de mercados pós-anúncio de Trump; descarta inflação com tarifas

Bessent minimiza queda de mercados pós-anúncio de Trump; descarta inflação com tarifas

Brasília, 4/4/2025 – O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, minimizou nesta sexta-feira a queda dos mercados acionários observada desde a apresentação do agressivo plano de imposição de tarifas de Trump, classificando-a como “imperceptível” ao se olhar para a trajetória em longo prazo, e também descartou visão de efeito na inflação oriundo das tarifas, ao citar que em 2019 o país registrou “receitas substanciais” decorrentes das alíquotas aplicadas à China, sem inflação ao consumidor.

Bessent falou ao jornalista Tucker Carlson, ex-Fox News, em entrevista om duração de uma hora. Eis, abaixo, compilado com os principais destaques.

“TRANFORMACIONAL”
Bessent destacou visão econômica de Trump como uma oportunidade de reindustrializar os Estados Unidos e corrigir desigualdades regionais e sociais acumuladas nas últimas quatro décadas, qualificando o plano do presidente como “transformacional”. Mencionou, por exemplo, a desigualdade vista no país, com trabalhadores americanos, especialmente no Centro-Oeste, nunca se recuperando totalmente do ingresso agressivo da China no comércio global. Segundo Bessent, Trump usa tarifas como ferramenta de negociação — “uma estratégia que ele defende há quatro décadas” — para trazer de volta o padrão de vida prévio dos EUA.

MERCADOS
Sobre os mercados, Bessent reiterou que agora é a hora e a vez de “Main Street” – empresas de menor porte – ante Wall Street. A queda recente nos mercados, associada ao anúncio do DeepSeek na China, não abala sua confiança de que os EUA permanecerão líderes em IA e que a economia será fortalecida.

Questionado sobre o desempenho dos mercados acionários, Bessent minimizou. Segundo ele, ao se olhar para a queda S&P500 com mesma ponderação, o índice recuou 4% – o que seria “imperceptível” ao se observar para a trajetória em um gráfico de longo prazo. Bessent descartou haver motivos para se pensar em uma recessão, e disse que a equipe econômica tem os ingredientes para um dólar forte e uma economia reequilibrada.

INFLAÇÃO
Bessent pontuou que, em 2019, a imposição de tarifas dos EUA sobre a China gerou receitas substanciais ao governo americano – e não causou inflação ao consumidor. Bessent calculou um intervalo entre US$300 bilhões a US$600 bilhões em receitas para os EUA oriundas do plano de tarifas anunciado por Trump em uma janela de tempo de um ano.

REINDUSTRIALIZAÇÃO
Ainda assim, ele defendeu que trazer plantas fabris de volta aos EUA é a “melhor solução” para o tema das tarifas, e disse ver a mão-de-obra local com capacidade para atender à tentativa de reindustrialização. Também pontuou que o governo tem se esforçado para flexibilizar regulamentações, o que fomentaria a vinda de empresas para os EUA.

CONTRA CHINA
Também voltou a criticar o modelo econômico chinês, altamente dependente do déficit americano em transações comerciais, dizendo ser “insustentável”. Também segundo Bessent, fundamentos econômicos prometidos por Trump farão o seu modelo funcionar, com foco em produção interna de itens cruciais como medicamentos, chips e semicondutores.

JUROS
Bessent voltou a falar do desejo de um juro longo menor. Citou, por exemplo, que em janeiro as Treasuries yields de dez anos encontravam-se próximas de 5%, enquanto agora em abril, já se posicionam abaixo de 4%. A queda de quase 100 pontos-base gerou US$100 bilhões de economia aos EUA.