Arcabouço fiscal pode atrasar com pressão de endurecimento do texto

Parlamentares encontram fragilidades em proposta de Haddad

Agência Câmara
Agência Câmara

Por Machado da Costa

O relatório do deputado Cláudio Cajado (PP) sobre o arcabouço fiscal, esperado para hoje, pode atrasar uma semana, em meio a pressões de deputados para que o texto seja endurecido.

Ontem, a consultoria técnica da Câmara dos Deputados emitiu parecer apontando fragilidades do texto original e riscos por conta da flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal. Cajado deve endurecer o texto, porém, não deve incluir a responsabilização de gestores públicos, apenas a obrigatoriedade de contingenciamento e restrição de novos gastos de custeio.

A seguir, confira as notícias do mundo político que podem ter algum impacto hoje nos mercados. Para mais informações, siga a cobertura dos principais acontecimentos nos terminais Mover e TC Economatica.

MANCHETES DOS JORNAIS

O Globo: “PF vai investigar esquema de apostas ilegais no Brasileirão”

Valor Econômico: “Fundos de crédito privado têm fuga de R$120 bi”

Folha de S.Paulo: “Moraes ameaça, e Telegram retira texto sobre projeto de lei”

O Estado de S. Paulo: “Deputados cobram texto mais rígido para a nova regra fiscal”

DESTAQUES DO DIA

Partidos da base aliada do governo, como o PSB, indicaram apoio ao texto do arcabouço fiscal. Contudo, há quem tenha condicionado este apoio. O PSD sinalizou que votará a favor do relatório de Cláudio Cajado (PP-BA) caso a medida garanta o não aumento da carga tributária, o controle qualitativo de despesas e a responsabilização do gestor em caso de não cumprimento da meta primária. (Valor)

Membros de partidos de esquerda como PT, Psol e Rede, desejam uma versão mais leve do texto, flexibilizando ainda mais as regras. Entre as sugestões, estão remover o Bolsa Família do limite orçamentário a ser criado pelo texto e permitir um maior crescimento dos gastos. (Folha)

Já os deputados ligados a legendas de centro e direita têm pressionado Cajado para que ele endureça o relatório do arcabouço, com a inclusão de sanções e gatilhos de cortes de despesas em caso de descumprimento da meta fiscal. (Estadão)

Em Niigata, no Japão, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) voltou a defender o uso de moedas locais, sem o uso do dólar, em negociações bilaterais. “O Presidente Lula defende que você não precisa necessariamente recorrer à moeda de um terceiro país”. (Mover)

ECONOMIA

A Receita Federal criou um regime diferenciado para que os contribuintes enquadrados no julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) possam antecipar o recolhimento dos valores devidos. Com a decisão, o governo espera arrecadar R$90 bilhões. Pelo regime, será possível parcelar as dívidas em até 60 vezes, com desconto de mora e 50% da multa, desde que a autorregularização ocorra até o final de julho deste ano. (Mover)

O secretário-executivo da Fazenda, Gabriel Galípolo, voltou a afirmar, nesta quarta-feira, que a pasta tem contribuído para a criação de um cenário mais confortável para a política monetária, citando como exemplos a queda na taxa de juros longos e melhores projeções de resultado primário. Em entrevista à BandNews, ontem, Galípolo afirmou que, caso o Senado aprove sua indicação à diretoria de Política Monetária do Banco Central (BC), ele atuará como ponte na interlocução do governo federal com a autarquia. “Se aprovada [minha indicação], vou ser um facilitador de diálogo entre as políticas [monetária e fiscal]”.

Apesar de o desempenho da indústria ter surpreendido positivamente em março, com alta de 1,1% na base mensal,isso não alterou o pessimismo de economistas com o setor. A produção industrial ainda se encontra 1,3% abaixo do nível pré-pandemia e casas de análise mantiveram previsões de desempenho fraco para o Produto Interno Bruto industrial neste ano. (Valor)

POLÍTICA

Poucas horas depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre Moraes, determinar que o Telegram apagasse – sob pena de suspensão – as mensagens disparadas em massa contra o projeto de lei das Fake News, o aplicativo apagou a mensagem inicial contrária ao PL e disparou para sua base de assinantes no Brasil uma mensagem favorável ao projeto.

A decisão de Moraes determinava a publicação do texto em até uma hora após a notificação judicial. Em caso de descumprimento, seria aplicada uma multa de R$500 mil e a suspensão do aplicativo por 72 horas. Além da mensagem, Moraes determinou que a Polícia Federal realizasse uma oitiva com representantes do Telegram no Brasil sobre a publicação do texto original, contrário ao PL das Fake News.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT) admitiu que houve erro do governo na condução política de decreto sobre o marco do Saneamento. “Temos que reconhecer um erro nosso. Não conseguimos fazer reunião com parlamentares, estamos corrigindo isso, agora, no Senado”, disse em entrevista à GloboNews. (Mover)

Apesar da admissão, Costa insistiu que o governo tem razão em buscar a revisão do acordo de acionistas da Eletrobras, que limita o poder de voto da União. (Mover)

ESTATAIS

A Petrobras deve anunciar redução de preços na próxima semana, segundo a coluna do jornalista Gerson Camarotti, do G1. De acordo com a publicação, a estatal vai cortar R$0,30 no preço do litro da gasolina, equivalente a 10% do valor atual. Haverá também reduções de R$0,10 no litro do diesel (4%) e de R$15 no botijão de gás. Apesar de haver espaço para a redução, chama atenção o vazamento antecipado do corte. (G1)

AGENDA

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participa do ato de lançamento das plenárias estaduais do Plano Plurianual Participativo (PPA). A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), também participa do evento. Às 10h00.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MDB), participa de reunião de líderes da Casa. O encontro deve definir os próximos passos do Senado em relação às Propostas de Decretos Parlamentares que podem derrubar os decretos de Lula sobre o Marco do Saneamento. Às 09h00.

(MDC | Edição: Gabriela Guedes | Arte: Vinícius Martins | Comentários: equipemover@tc.com.br)