Nova polêmica sobre TUPY3

BNDES quer ministro da Defesa no board da Tupy e nome da Secom no conselho fiscal; conselheiro crítica "indicação política"

BNDES quer ministro da Defesa no board da Tupy e nome da Secom no conselho fiscal; conselheiro crítica "indicação política"

São Paulo, 22/12/2025 – O braço de participações em empresas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDESPar, acionista da Tupy, está indicando o ministro da Defesa e ex-presidente do Tribunal de Contas da União, José Mucio Monteiro Filho, para cargo no conselho da companhia metalúrgica, após a renúncia de um indicado anterior do banco, Marcio Bernardo Spata, e apontando ainda um nome da Secretaria de Comunicação Social para o conselho fiscal, em movimentos duramente criticados por outro membro do “board”.

Em carta pública, o conselheiro Mauro Cunha disse que recebeu “com surpresa e decepção” o pedido de renúncia de Spata “dando espaço para mais uma indicação política para o conselho de administração da Tupy – diga-se de passagem, uma companhia que deveria ser de direito privado”.

A polêmica não é a primeira envolvendo as indicações do BNDESPar para a Tupy: em 2023, as ações da companhia chegaram a despencar após a indicação da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, a posições no conselho. Ambos deixaram o colegiado neste ano, após não terem indicação por recondução para os cargos.

O BNDSPar é o maior acionista da Tupy, com 30,7% das ações, e a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, tem 27% o que permite que, na prática, o governo federal torne-se quase que um controlador da companhia. A gestora Trígono tem 9,9% das ações.

O conselheiro Mauro Cunha afirmou, em carta que a indicação do ministro Múcio ao board “é na verdade uma repetição do ocorrido em 2023, quando funcionários do BNDES que foram eleitos para o conselho de administração da Tupy renunciaram aos seus cargos para acomodar indicações políticas. O resultado foi dramático no preço das ações, na deterioração do processo decisório do conselho e na perda de credibilidade da Tupy”, escreveu.

“Essas consequências agora se repetem, em momento crítico de deterioração de resultados da companhia, e logo após uma difícil e dispendiosa renegociação de covenants de dívidas”, acrescentou Cunha, um ex-presidente da Associação de Investidores AMEC, subindo o tom.

“Nada tenho contra o indicado (José Mucio). Mas, diga-se de forma patente, que não existe nada no material enviado que sugira que o mesmo agregue qualquer valor aos desafios do conselho de administração da Tupy neste momento. Que se diga com todas as letras: trata-se unicamente de uma indicação política”, acrescentou.

Falando em “PROTESTO”, em maiúsculas, Cunha disse que “envidará todos seus esforços para quebrar ciclo de indicações políticas na Tupy”, inclusive com denúncia na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra Spata, conselheiro renunciando, “por quebra de seu dever fiduciário” ao renunciar para viabilizar a indicação de Múcio.

Cunha atacou também indicação de nome pelo BNDESPar para o conselho fiscal, Tiago Cesar dos Santos, que é secretário executivo da Secretaria de Comunicação Social do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A indicação veio após renúncia de Marcos Motta a cargo no colegiado que fiscaliza as contas da empresa.

“Adiciono que considero IRREGULAR a convocação de assembleia pelo acionista BNDESpar para alteração de membros do conselho fiscal. Como a BNDESpar diz não ser controladora da Tupy, o membro do conselho fiscal não a representa, e sim a todos os acionistas, não importando quem o indicou. Não pode um acionista determinar a destituição de conselheiros fiscais que representam todos os acionistas. Se o fizer, estará confessando que é controlador”, criticou Cunha.